Uma dobradura de couro que virou peça do MoMA
Clássicos do design · 2025-11-06

Em 1938, os arquitetos argentinos Antonio Bonet, Juan Kurchan e Jorge Ferrari-Hardoy — reunidos no estúdio Grupo Austral, em Buenos Aires — desenharam uma cadeira que reduz a estrutura ao mínimo possível: uma única haste de metal dobrada em forma de X, apoiada no chão em quatro pontos, e um envelope de couro que faz ao mesmo tempo o assento e o encosto. Não há parafuso, cola ou entalhe na estrutura — só dobra.
A peça entrou para a coleção permanente do MoMA, em Nova York, ainda nos anos 1940.
O nome Butterfly veio do formato do couro quando ele está esticado entre os quatro apoios da haste, que lembra as asas abertas de uma borboleta. O desenho ficou tão conhecido que passou a ser chamado também de BKF, as iniciais dos três criadores — e inspirou dezenas de versões produzidas no mundo todo desde então.

Montar e desmontar a Butterfly é questão de minutos: a capa se solta da estrutura sem ferramenta nenhuma, o que na época era pensado para facilitar o transporte e hoje facilita trocar de capa conforme a estação ou lavar sem precisar desmanchar o estofado.
É uma lógica de montagem parecida com a que usamos nas nossas peças com estrutura metálica à mostra: quanto menos parte fixa e mais parte que se troca, mais tempo a peça acompanha quem comprou, porque o que cansa primeiro — o tecido — é também o mais fácil de substituir. Num clima úmido como o brasileiro, essa possibilidade de trocar só a capa, sem mexer na estrutura, também facilita bastante a limpeza contra mofo.
Da nossa prateleira
Cadeiras de estrutura metálica exposta, feitas para trocar de capa sem ferramenta.
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